“No RS vamos intervir de forma integrada, adotando ações policais e sociais, com base no policiamento comunitário.”

Marcos Benjamin

UPP Pavão-Pavãozinho/Cantagalo, no Rio de Janeiro, beneficia mais de 3.500 pessoas | Foto: Marcos Benjamin

Leia a matéria completa no Sul21

Rachel Duarte

Ex-ministro da Justiça, idealizador das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), Tarso Genro (PT), governador eleito do Rio Grande do Sul, afirma que era prevista a reação do crime organizado, no Rio de Janeiro, ao processo de pacificação das favelas. Para o futuro governador gaúcho, os conflitos cariocas comprovam que a política inovadora de segurança públicada, adota pelo governo Lula, teve resultados positivos. O professor de Ciências Criminais da PUC-RS Rodrigo Azevedo acredita que os gaúchos já estão preparados para a adoção da política com repressão com ações sociais.

Prevenção

O governo Tarso pretende trabalhar na prevenção do crime e do domínio de territórios, como vem sendo feito no Rio de Janeiro. O governador eleito disse ao Sul21 que o futuro secretário de segurança estará afinado com a linha do Pronasci, bem como o comandante da Brigada Militar (BM). “Já temos na Polícia Civil e na BM centenas de policiais que foram treinados no âmbito do Pronasci e, inclusive, estiveram na Força Nacional. Agora, eles terão relevância para o nosso trabalho”, explica.

Tarso explica que tanto as ações de repressão quanto as de prevenção serão desenvolvidas pelo mesmo órgão: o Programa Estadual de Segurança com Cidadania (Proesci). O estado implantará o Programa nos mesmos moldes do Pronasci. “Será uma forma de aplicação específica dessa política no estado e que terá um peso total. Terá um encarregado de altíssimo nível, que tem experiência na implementação do Pronasci e que terá competência para fazer um enlace institucional do Pronasci no estado”, diz.

O indicado para esta tarefa é o atual secretário de Segurança Pública e Cidadania de Canoas, Alberto Kopittke. Ele explica que entre as principais ações que serão desenvolvidas no RS está a de pacificação de territórios e o policiamento comunitário. “Vamos intervir de forma integrada, adotando ações policais e sociais, com base no policiamento comunitário. Os policiais que atuarão nos territórios deverão ter vínculo com a comunidade”.

Kopittke lembra que antes da pacificação é preciso preparar o território. No Rio de Janeiro, este trabalho é feito pelo Batalhão Operações Especiais (Bope), que informa aos bandidos da ocupação do local pelo estado. No Rio Grande do Sul, diz Kopittke, o processo será diferente. “Lá os criminosos são informados antes da ocupação do estado para não ter confronto e a migração dos bandidos é concreta. Em situaçãoes menos graves do que a do Rio, pode-se trabalhar com investigação qualificada e prévia, que resultem na desarticulação do crime organizado nestes locais”, afirmou.

O futuro coordenador do Proesci explica ainda que o nível de criminalidade e da força dos criminosos cariocas não é igual a dos gaúchos. “Aqui não temos o tamanho de organizações criminosas como lá. No RS, eles são localizados e as redes de traficantes identificadas”, diz Kopittke.

“O foco do trabalho e a escolha dos territórios no Rio Grande do Sul se dará a partir da análise dos indicativos de homicídios”, revela Kopittke. Outro diferencial apontado pelo futuro coordenador do Proesci é que no Rio Grande do Sul a polícia tem mais seriedade e um histórico de proximidade com a população.

Metodologia

Rodrigo Azevedo explica que a nova concepção de segurança pública, desenvolvida na gestão de Tarso Genro no Ministério da Justiça e que será aplicada efetivamente no RS, é algo que já vem sendo pesquisado pelos acadêmicos, que trabalham com o tema. Ele diz que boa parte da fundamentação do Pronasci vem da academia e da pesquisa sobre segurança pública no Brasil. “Há inúmeros estudos e pesquisas e alguma parte foi embasada para formar o Pronasci”, revela.

Sobre a receptividade do programa no RS, o professor conta que o trabalho desenvolvido em Canoas e nos demais municípios da Região Metropolitana, que aplicaram o Pronasci, foi um bom laboratório para o trabalho mais amplo que será feito com o Proesci. “A sociedade já está preparada para esta política. O que pode acontecer é o que ocorreu no governo Olívio Dutra, que também tentou reformar as polícias: a resistência das corporações”, comenta.

Anúncios
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s