Canoas virou, a VEJA não

Confesso que a “elogiosa” matéria da Revista Veja, sobre a experiência da atual gestão da Prefeitura de Canoas, especialmente em relação as ações de segurança pública desenvolvidas no município, não chegaram a me causar surpresa. Ate elogiando a revista faz questão de demonstrar os seus preconceitos ideológicos.

A matéria, mais uma vez, adotou um grosseiro, mas eficiente e perigoso artifício, utilizado por alguns dos grandes veículos de comunicação do país nos últimos anos: “se não há como negar que alguma coisa feita por alguém do PT é boa, então diga que aquela pessoa só fez alguma coisa boa porque conseguiu romper com os dogmas do PT”.

“Prefeito petista recoloca a cidade gaúcha no caminho da ordem e da prosperidade ao ignorar a cartilha demagógica e ineficiente dos partidos de esquerda.” – Olho da matéria Canoas vriou – Veja – dez.2010.


Este tipo de artifício tem sido utilizado em relação a vários programas do governo Lula, inclusive chegando a figura do próprio presidente Lula, a partir do momento em que passou a ter altos índices de aprovação. Segundo a revista semanal, Lula teria conseguido se distanciar dos perigosos tentáculos do polvo petista (para usar uma linguagem da própria revista) e somente por esse motivo, teria conseguido realizar um bom governo. Isto desconsidera o fato de que o próprio presidente foi o fundador e é o Presidente de honra do PT, e também que seus principais ministros são petistas.

Mesmo tosco tal artifício é perigoso porque faz com que o sujeito da matéria fique refém de apenas duas alternativas: assume o rompimento com as referências partidárias para ser aceito como gestor qualificado ou assume seus vínculos partidários e sofre com a estigmatização sobre o que é um governo do PT na visão da revista. Este tipo de matéria incita preconceitos e não abre espaço para o diálogo, ou no mínimo, para uma cobertura dos fatos isenta de julgamentos.

Outro exemplo disso está nas páginas 116 e 117, que entre outras preciosidades diz em certo momento:”ao implementar essa política de enfrentamento ao crime, o Prefeito Jairo Jorge teve que abandonar o ideário de seu partido, o PT, que sempre defendeu a tese de que a bandidagem deveria ser combatida por meio de programas sociais”.

Com a legitimidade de ser o Secretário Municipal de Segurança de Canoas e ter implementado as políticas municipais nesta área – sob a gestão do Prefeito Jairo Jorge – preciso esclarecer que a afirmação da revista não só esta enganada, como inverte a realidade.

O nível de preconceito ideologico da revista é tão grande que a impediu de realizar uma análise mais profunda da experiência que vem sendo implementada no município. É importante destacar que todas as ações realizadas na cidade são baseadas e, em sua maioria financiadas, pelo Pronasci (Programa Nacional de Segurança Publica com Cidadania), o qual a própria revista já tentou desqualificar um sem número de vezes, chamando-o inclusive de Bolsa Bandido.

As decisões editoriais da revista não permitem informar aos leitores a verdadeira inovação que vem sendo realizada na área de segurança pública de Canoas. Esta experiência, seguidora das diretrizes do Pronasci, representa superação da falsa dicotomia entre programas sociais e ações policiais.

O que a revista chama de demagogia, é conhecido internacionalmente como Políticas de Prevenção a Violência, e, faz parte da recomendação de organismos mundiais como, a OMS (Organização Mundial de Saúde), o PNUD (Programa  Nacional das Nações Unidas), entre tantas outras. Tal concepção vem sendo efetivamente aplicada de maneira inovadora nos últimos anos por gestores de diversas colorações partidárias, que superaram esta sugerida falsa dicotomia que a Revista busca mais uma vez reforçar.

O que Veja não soube dizer:

Este novo modelo é baseado numa visão sistêmica do fenômeno da violência, que busca qualificar a repressão policial para que ela seja cada vez mais eficiente, utilizando-se progressivamente mais inteligência e menos violência. De maneira articulada são implementados programas de prevenção em grupos sociais e etários em situação de vulnerabilidade a violência, em especial jovens da periferia, abrindo novas oportunidades educacionais, culturais e profissionais. Tudo isso a partir da integração entre todas as polícias e entes da federação, sem qualquer distinção entre este ou aquele partido (o que na visão da Veja é algo impossível). Nesta concepção, o foco está no Território como espaço para a implementação integrada de inúmeras políticas sociais e de infraestrutura.

Esse é o novo modelo de seguranca pública que o Pronasci consolidou e está transformando em realidade, a partir de gestores capazes de superar velhos preconceitos e as imensas demagogias já cometidas no Brasil, principalmente nesta área. Demagogias que, defendendo velhas soluções de “uso da força contra a bandidagem”, na realidade sempre se transformaram em práticas de pura violência e criminalização das periferias brasileiras, criando o ambiente perfeito para o desenvolvimento da corrupção e de verdadeiras fortalezas do tráfico de drogas.

O país já começa a perceber os benefícios desse novo modelo de segurança, que efetivamente fortalece a capacidade de o Estado combater criminosos e, ao mesmo tempo cortar a perigosa espiral de cultura da violência. E, esse novo modelo de segurança pública só é possível porque o país começa a sentir os resultados de um novo modelo de desenvolvimento – tantas vezes combatido pelos “especialistas” que povoam as páginas da revista Veja – de crescimento acelerado e profunda distribuição de renda.

Vale destacar que, o programa nacional que financia a experiência de Canoas é mais um daqueles que a Revista tanto denuncia como “crescimento do gasto público” e que, na verdade, são políticas de bem estar social a tanto tempo negligenciadas no país.

Efetivamente o Brasil começa a encontrar um novo caminho para melhorar o problema da segurança pública. A Revista Veja, mesmo quando elogia uma experiência deste novo modelo, demonstra que ainda não faz parte dessa solução e, lamentavelmente, ainda alimenta os velhos problemas. Culpa de seus preconceitos ideológicos.
“Canoas virou” na área da segurança pública, Veja ainda não.

A matéria na íntegra.

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3 respostas para Canoas virou, a VEJA não

  1. Marcelo Maglia disse:

    Camarada Alberto:

    A tática da direita raivosa e agora sofredora é absolutamente camaleoa, visto que acham novos métodos de desqualificação de um projeto de esquerda que não tem paridade no mundo, tanto em aplicabilidade, quanto em eficiência, em êxito e em desenvolvimento social.

    E essa turba direitosa sofredora, que perdeu o poder e não vislumbra qualquer possibilidade de reação, atacará com ardis cada vez mais poderosos e golpistas, pode ter certeza.

    Está na hora das autoridades constituídas, diga-se Governo Federal com o apoio dos Governos Estaduais alinhados e do Congresso Nacional, reforçarem a necessidade de, em breve, instituir-se um marco regulatório para a liberdade de imprensa neste país.

    Há braços petistas, Marcelo Maglia.

  2. Valmor Fernandes disse:

    Caro Alberto;

    É impressionante o posicionamento político e ideológico da edição de um veículo de comunicação que no mínimo deveria ser isento.
    Caso não conhecêssemos o trabalho de todos na Prefeitura de Canoas e fossemos leitores leigos, certamente seríamos influenciados e conduzidos a um erro de análise na matéria.

    Um grande Abraço,
    Valmor

  3. Excelente o teu trabalho nobre amigo e de tí só poderíamos esperar o melhor a frente da SMSPC.
    Quanto a questão de instituir-se critérios rigorosos ou a criação de um marco regulatório para a liberdade de imprensa não comungo com a idéia tendo em vista o avanço democrático que temos alcançado durante a gestão do governo Lula. Claro, que salvo os exageros midíaticos de uma imprensa tendenciósa como a de veja chega-se ao limite do respeito por tal liberdade ‘abusiva’!
    É como a aquela história dos cinco dedos em que cita-se; não são iguais. Devemos tolerar as diferenças até mesmo ideológicas. Fui vendedor de assinaturas da Editora Abril por um bom tempo pelo Estado do RS e é público e notório até mesmo entre os ex-colegas da Editora que eu jamais realizei uma venda da referida revista. Fechava inúmeros pacotes em assinaturas, mas em nenhum deles se encontrava a revista VEJA! Preferia ler a revista do meu xará Mino Carta: “Carta Capital”.

    Abraço ao camarada e o desejo de novos desafios e de grandes conquistas para o amigo e esta equipe surpreendente e dedicada.

    Mino Evangelista

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