FGV lança livro sobre o Pronasci nessa Terça em Porto Alegre

Fundação Getulio Vargas lança em Porto Alegre o livro “Segurança e Cidadania: Memórias do Pronasci”

Redes sociais do tráfico, UPPs, armamento não letal, Mulheres da Paz. A segurança pública – assunto que está mais em pauta do que nunca, com o acirramento da guerra travada entre polícia e traficantes no Rio de Janeiro nos últimos dias – é o tema do mais novo lançamento da Editora FGV. O livro Segurança e cidadania: memórias do Pronasci traz 28 depoimentos de personagens-chave na luta contra a violência no Brasil, como Tarso Genro, José Mariano Beltrame (secretário estadual de Segurança do RJ),  Leonardo Zuma (capitão da Polícia Militar e coordenador das UPPs da Zona Sul), Luiz Fernando Corrêa (diretor-geral da Polícia Federal) e o músico e escritor MV Bill (confira trechos das entrevistas abaixo).

Organizado pela diretora da Editora FGV, Marieta de Moraes Ferreira, e pela professora Ângela Britto, o livro é resultado do programa de História Oral do CPDOC da Fundação Getulio Vargas. O livro será lançado em Porto Alegre nesta terça-feira, 14, às 19 horas no Café Moeda do Santander Cultural, na Rua Sete de Setembro, 1028. O governador eleito, Tarso Genro estará dando autógrafos, acompanhado de Marieta.

A obra resgata memórias do Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci), iniciativa do Ministério da Justiça que articula políticas de desenvolvimento social no combate à violência. O programa é comentado tanto pelos que o formularam como por quem foi por ele beneficiado – caso de Ana Manco (Mulher da Paz) e de jovens que participam de projetos sociais em favelas, como no emocionante depoimento de André Lopes, que quase morreu nas mãos dos traficantes.

Confira alguns trechos dos depoimentos:

Tarso Genro
“A questão de segurança pública é uma questão policial; mas, se for tratada exclusivamente como uma questão policial, não é uma boa política de segurança pública. É necessário renovar o conceito, com o relacionamento entre polícia e comunidade. É necessário mudar a cultura do aparato policial e dotar as prefeituras de meios para produzir políticas preventivas”.

“O Pronasci passa a ser uma política-chave. Porque a fragmentação, as zonas de anomia e a insegurança generalizada tornam os oprimidos duplamente oprimidos: oprimidos por exclusão social, pela ausência de um Estado benfeitor, e também oprimidos pelos seus pares na disputa pela sobrevivência”.

Leonardo Zuma
“O tráfico forma redes sociais, que incluem mercadorias políticas, corrupção, ameaças. Criam-se novas legitimidades, novas sociabilidades, novas identidades. O traficante vira um herói, um modelo de masculinidade”.

“Com a UPP, o Estado consegue retomar o território, reprimir a ingerência do tráfico nas dinâmicas sociais”.

José Mariano Beltrame
“O Pronasci é a única maneira de se fazer segurança. Porque segurança pública não é uma ação exclusivamente policial. O que vai nos trazer dias melhores é o exercício da cidadania. O embate da polícia com bandidos tem que existir, mas são as políticas públicas de prevenção e de atendimento das demandas da população que vão ganhar essa luta. É preciso acontecer um tsunami de ações”.

Luiz Fernando Corrêa
“Se o Brasil está melhor economicamente, isso não faz dele um império. É muito fácil dizer que quem produz a cocaína é a Colômbia, o Peru, a Bolívia. Mas ninguém, a partir da folha de coca, chega à droga sem os insumos químicos. Então, o Brasil tem que ter um programa de controle desses insumos. Vão erradicar a coca na Bolívia? Não, pois ela faz parte da cultura. Aquilo que é excedente, que está fora da licitude é que nós temos que ajudar a combater. Respeitando a cultura boliviana. Porque, senão, eu faço daquele país um país bandido”.

“A repressão já foi um palavrão. Hoje, o Estado tem que ter coragem de dizer que é o detentor do poder do emprego da força. A repressão é fundamental, mas eu preciso ter uma capacidade operacional com menor letalidade”.

MV Bill
“Tive uma infância que eu costumo chamar de infância padronizada, para quem é preto e favelado, um padrão que permite somente o estudo até uma parte e, depois, tem que conciliar estudo e trabalho”.

“O problema que não será resolvido na conseqüência, ou seja, com uma polícia mais armada, mais violenta, com aparato policial maior, e sim nas causas”.

André Lopes
“Quando eu atingi meus dezoito anos, fui parar na Rocinha. Lá, conheci muita gente boa, muita gente ruim também. Comecei beber todo dia, fumar E, pela primeira vez, conheci de perto algo que eu só pela televisão: a cocaína. Aí foi quando tudo começou a escurecer para o meu lado”.

“A droga age na sua fraqueza. Cada estudioso conta de um jeito; mas eu acho que só sabe quem usa”.

“No início, o Protejo (projeto social) era cada um por si e Deus por todos. Hoje, a gente fala que é uma família. Se eu caísse agora, seria por falta de vergonha na cara. Safadeza. Porque agora eu tenho apoio. Tenho com quem contar”.

Anúncios
Esse post foi publicado em Segurança Pública, Uncategorized e marcado , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s