Violência faz a América Central perder 8% do PIB

Publicado na Folha de Sao Paulo http://bit.ly/mTOwjE

Estudo do Banco Mundial radiografia os efeitos do narcotráfico na região
Relatório é o ponto de partida para uma conferência hoje na Guatemala com presença de Hillary
FLÁVIA MARREIRO
O Banco Mundial calcula que a América Central perde 8% de seu PIB em razão dos custos ligados à violência.

Diz também que 5% da riqueza da região já provém, de uma maneira ou de outra, do traslado de 90% da cocaína que chega aos EUA.

Para a DEA, a agência antidrogas americana, o negócio da droga e a ofensiva dos cartéis mexicanos para controlar rotas de tráfico solapam a estabilidade política e jurídica dos países recordistas em cifras de homicídio da América Latina, como Guatemala, Honduras, El Salvador.

Esse quadro será o ponto de partida da conferência de segurança do Sistema de Integração Centro-Americano (SICA) que começa hoje na Guatemala.

Participam presidentes da América Central, Colômbia e México, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, e a chanceler espanhola, Trinidad Jiménez.

Para o país anfitrião, o ponto-chave é cobrar dos maiores consumidores de drogas -EUA e União Europeia- recursos para uma estratégia regional conjunta de combate às drogas, espécie de “Plano Colômbia” transnacional com foco em prevenção e melhora institucional, em especial da Justiça.

Estima-se que o plano custe de US$ 900 milhões (R$ 1,4 bilhão) a US$ 1,2 bilhão (R$ 1,9 bilhão)em três anos.

Por meio da Iniciativa Regional de Segurança para América Central, os EUA aprovaram US$ 260 milhões para a região.

Antes da conferência, as autoridades americanas se esquivaram da cobrança. Frisaram que não se tratava de um encontro de doadores, mas de uma discussão sobre a efetividade das políticas.

O número 2 do Departamento de Estado para a América Latina, Arturo Valenzuela, disse que, no máximo, espera-se que Hillary anuncie um “rearranjo” de prioridades para a verba já aprovada.

No estudo “Crime e violência na América Central: o desafio do desenvolvimento”, lançado neste ano, o Banco Mundial estimou tanto as perdas da região com a violência como o ganho potencial para a economia em caso de redução do problema.

Queda de 10% nos índices de criminalidade em El Salvador, por exemplo, se reverteria num acréscimo de 1% na renda per capita média do país, na simulação.
PROBLEMA COMPLEXO
O informe reconhece, porém, a complexidade do problema em países com Justiça e sistema carcerários vulneráveis e uma herança macabra das guerras civis encerradas nos anos 1980 e 1990: uma enorme quantidade de armas em circulação.

A presença dos poderosos cartéis mexicanos, que travam disputa sangrenta com gangues locais pelas rotas de exportação de drogas, é outro problema em escalada.

A fronteira entre o México e a Guatemala, com patrulhagem mínima, é considerada o “ponto quente” da rota, com índices de homicídios iguais aos de Ciudad Juárez, na divisa com os Estados Unidos.

No mês passado, 26 pessoas foram mortas e decapitadas numa fazenda da zona guatemalteca, no maior massacre recente da história do país. O crime foi atribuído ao cartel mexicano Zetas.

Anúncios
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s