O PT numa realidade que se transforma

Nos últimos anos o mundo ingressou em uma nova etapa do desenvolvimento, que vem impactando a economia, a sociedade e a cultura. A 3ª Revolução Industrial está modificando toda a dinâmica de interação social e isso, em minha opinião, provocará uma profunda modificação na forma de atuação política.

Os Partidos políticos de vertente socialista democrática, que brotaram do seio das lutas de classe da segunda revolução industrial, e que foram os sujeitos políticos da construção dos nossos atuais Estados Democráticos de Direitos, estão diante de uma imensa esfinge:

1) Precisam continuar lutando pelos direitos dos trabalhadores das relações de trabalho do antigo modelo produtivo, mas precisam atualizar seus programas para que possam representar os anseios advindos da nova etapa de desenvolvimento;

2) Devem reformular toda a sua forma de organização para que se constituam em espaços de reflexão atraentes e com real capacidade de mobilização, sem que percam sua identidade histórica.

Enquanto tais questões são enfrentadas nos países economicamente mais desenvolvidos, em especial na Europa, sob uma das mais profundas crises econômicas das últimas décadas, o Brasil vive o momento oposto.

O período aberto pelo Governo do Presidente Lula nos coloca diante desses mesmos desafios, mas num ambiente econômico muito favorável.

No entanto, o PT, além de sua capacidade eleitoral parlamentar e para o Executivo, precisa retomar seu papel de protagonista na cena política do país e na vida cultural desses novos segmentos que estão emergindo na cena econômica do Brasil.
Nossos sucessos no presente não podem nos cegar sobre os desafios de amanhã.

Em uma década governando o país, o PT tem o grande êxito de estar implementando aquele que foi o principal compromisso de sua origem: A modificação de uma estrutura social que era uma das mais injustas do mundo.

No entanto, esse mesmo êxito será nosso maior desafio! A chamada nova classe média, já imersa na economia da informação, trará consigo novas demandas, novos referenciais culturais e uma  dinâmica social totalmente nova.

Ao mesmo tempo que luta contra injustiças que se enraízam desde os longínquos tempos de nossa colonização, o PT deve estar preparado para se tornar o sujeito político, com capacidade para responder aos desafios que se vislumbram com a chegada do século XXI.

As novas gerações já não se sentem representadas e nem sensibilizadas a participar das estruturas políticas do passado. Esse déficit de representatividade pode resultar em dois grandes caminhos: O afastamento completo do espaço público ou a reivindicação por novas formas de organização política ainda incipientes e que ainda não estão claramente delineadas.

Essa nova dimensão subjetiva dificilmente terá respostas que se restrinjam as fronteiras das identidades nacionais. Aos poucos mas de maneira acelerada, nasce a consciência de que nos encontramos imersos sob um sistema de poder, no qual os interesses do capital financeiro especulativo apenas podem ser regulados por novas formas de exercício da democracia. Uma democracia com capacidade de representar a multiplicidade de segmentos que encontram sua identidade e a possibilidade de defesa dos seus interesses em escala global.

Os estados nacionais que durante quinhentos anos se constituíram na dimensão totalizadora da política, cada vez mais vêm perdendo essa condição. A reorganização do poder cada vez mais reside na dimensão local enquanto espaço da vida concreta e na dimensão global, enquanto efetiva arena das grandes decisões. As demais abstrações administrativas e o acelerado desenvolvimento que o Brasil vem experimentando nos últimos oito anos vem fazendo com que se acelere o processo de ingresso nessa nova dinâmica da estrutura social do capitalismo pós-moderno.

O PT forjado através das estruturas sociais características do século XX, ao mesmo tempo em que vem realizando com grande êxito o programa político de sua origem, deve ter condições para arejar sua estrutura organizacional e manter seu Programa vinculado com os anseios libertários e de justiça dessa nova sociedade brasileira que estamos ajudamos a construir.
Disso dependerá nossa capacidade para mobilizar essas novas forças sociais que liderarão as lutas de amanhã.

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