Estamos prendendo errado

O jornal Zero Hora publica em sua edição de oito de janeiro uma nova matéria sobre o tema do aumento do número de presos relacionados ao tráfico de drogas no Rio Grande do Sul.

Assim como já comentei no texto Cerco ao Tráfico  (https://segurancaedemocracia.wordpress.com/2011/11/14/cerco-ao-trafico/), este é um dos temas mais relevantes e que melhor demonstram os equívocos de uma determinada concepção de Segurança Pública.

Nessa visão (importada da política de Guerra as Drogas do Governo Nixon, na década de 70), os parâmetros utilizados para se medir a política sobre drogas são o número de presos e drogas apreendidas, e não o número de novos usuários ou de dependentes que conseguem diminuir seu vício sobre as drogas.

O que mais chama  atenção nesta reportagem é um fato que passa quase que de forma despercebida e que é o outro lado dessa política equivocada: O número de presos por homicídios no Rio Grande do Sul  que reduziu em 3,7% entre 2006 e 2011.

Ao longo dos cinco anos abordados na matéria, aproximadamente 10.000 gaúchos foram vítimas de homicídios e as taxas apesar da importante redução no último ano, ainda não apresentam nenhuma tendência de redução consistente.

Desde a década de 80, o Brasil possui um duplo equívoco: A política sobre drogas está focada no encarceramento de pequenos traficantes, e toda a política de Segurança Pública está focada nessa política sobre drogas.

O resultado é a incapacidade do Estado Brasileiro tanto para reduzir o número de novos usuários de drogas, quanto para reduzir os índices de violência.

Não por acaso, o número de homicídios no Brasil, nos últimos 30 anos cresceu 124% e no Rio Grande do Sul 137%.

Conforme comprovam os dados da matéria, esta concepção de Segurança Pública direciona os esforços das polícias para a prisão de traficantes de pequeno e médio porte diminuindo sua capacidade na investigação nos homicídios.

Exemplo disso é a conhecida falta de estrutura e recursos humanos nos órgãos de perícia, que são fundamentais para uma política de redução de homicídios.

A sensação de impunidade em relação ao crime de homicídios tem um grave impacto em relação a todo o fenômeno da violência na sociedade, uma vez que deixa impune aqueles que cometem o mais grave dos crimes e possibilita que a espiral de violência cresça rapidamente (a necessidade de mostrar que tem capacidade de cometer um crime mais violento que o cometido pelo outro grupo e assim conquistar o poder).

Mais uma vez é importante destacar que as principais experiências de Segurança Pública que tiveram êxito em reduzir os índices de violência e criminalidade em todo o mundo e no Brasil, iniciaram os seus trabalhos priorizando a redução de homicídios.

Enquanto continuarmos olhando na direção que tem nos levado para o caminho errado, será difícil encontrar a direção certa.

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4 respostas para Estamos prendendo errado

  1. Régis Kovalski Jr. disse:

    De acordo!
    Falta agir na direção correta!

  2. Pingback: Para reduzir homicídios no RS – parte 2 | Segurança e Democracia

  3. Pingback: Posto Principal « Pra não faltar amor

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