O maior problema, a menor solução

O texto abaixo foi originalmente publicado no Correio do Povo, do dia 12 de Janeiro,
na editoria ‘Nosso Colaborador’.

O ano que se inicia traz novamente a segurança pública como uma das principais preocupações dos brasileiros, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O mais grave é que o maior problema do Brasil na atualidade é aquele em que o Estado brasileiro, em suas três esferas, oferece a menor solução aos cidadãos.

A segurança pública é a única entre as políticas sociais estruturantes prevista na Constituição que não possui um ministério próprio. É a única das grandes políticas públicas que não possui um Sistema Único devidamente regulamentado e estruturado. A única que não possui nenhum tipo de garantia de financiamento em nível federal (como o SUS, o Fundeb, o Suas, entre outros). E, para completar o quadro, é a única que ainda não possui um sistema nacional de dados e estatísticas (como temos o Datasus, na saúde, o Inep, na educação).

É nos gastos públicos que o problema da segurança pública fica mais evidente. Enquanto em 2010 o Brasil gastou R$ 127 bilhões em saúde pública e R$ 161,2 bilhões em educação (Ipea – Financiamento da educação: necessidades e possibilidades), na segurança pública, o Brasil investiu apenas R$ 14 bilhões em 2010 (anuário da Segurança Pública, Fórum Brasileiro de Segurança Pública). Obviamente que não vai se defender que se retirem recursos de nenhuma área social para o investimento em segurança.

O nosso país cresce e se desenvolve a passos largos e, por isso, não precisa mais fazer as tristes opções do passado. Trata-se sim de se compreender a relevância do desenvolvimento de políticas públicas na área de segurança e garantir níveis de investimento compatíveis para a sua implementação. A realidade brasileira tem demonstrado que é equivocada a ideia de que a mera diminuição da pobreza ou a melhoria na educação possam reduzir a violência por si só. Para que isso ocorra, é preciso que se desenvolvam políticas públicas específicas para a redução da violência e a valorização efetiva dos recursos humanos envolvidos na área.

Enquanto a segurança for a menor solução, a violência continuará sendo o maior problema.

http://www.correiodopovo.com.br/Impresso/?Ano=117&Numero=104&Caderno=0&Editoria=108&Noticia=380500

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2 respostas para O maior problema, a menor solução

  1. Régis Kovalski Jr. disse:

    A sociedade deve estar ciente disso!

  2. Sérgio Cardoso Arruda disse:

    Alberto;

    O texto nos remete a uma profunda reflexão sobre o que pretendemos para o nosso futuro, pois como caminhamos a passos largos para o crescimento e desenvolvimento, crescem também as disparidades sociais, que mesmo com o esforço do Governo Federal para erradicar a extrema pobreza, ainda falta muito para que possamos vislumbrar um efeito satisfatório e seguindo esta premissa nos deparamos com algo assustador que é a violência e a criminalidade infiltrada neste tecido da nossa sociedade que vive a parte do “nosso contexto”.

    Sendo assim é necessário que priorizemos as nossas ações de governo (tres esferas integradas) no combate constante ao crime organizado, que alicia nossos jovens e os remete ao submundo do crime, deformando como que por completo o seu caráter e pisique social de civilização, onde verdadeiras atrocidades são cometidas contra nossos semelhantes muitas vezes sem nenhum sentimento de culpa (afinal para muitos destes jovens o culpado da condição social em que vivem é a própria sociedade), portanto é como se estivessem punindo os seus algozes…

    O PRONASCI desenhou um modelo consistente e principalmente “integrativo”, que pode e deve ser aprimorado e usado pelos órgãos de segurança dos governos federal, estadual e municipal, pois atua onde os problemas acontecem, nas comunidades e busca uma solução partindo da compreenção da realidade de cada uma delas, e construindo extratégias para o combate das causas de insegurança.

    Enfim, encerro afirmando, que o PRONASCI não deve ser descartado como um simples programa criado por determinado governo, até porque o atual é a extensão do anterior, pelo menos deveria, porque “deu certo”, e até para não parecer que o PRONASCI teve apenas “cunho eleitoral”, que não se pretendia seguir a frente com a proposta, porque beneficiaria somente aquele ou aquela candidatos. O que quero dizer é que não aceito ver um programa que tem tudo para dar certo, ser esquecido por vaidade, ou por falta de compreenção de sua execução.

    Um grande abraço Alberto e obrigado por manter-me informado sobre os bastidores de assuntos de segurança pública que são a minha “paixão”.

    Por Sérgio Arruda, Gestor de Recursos Humanos e Consultor de Projetos Sociais.
    (51) 9904-6459 / (51) 8565-1936.

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