A lei que funciona

Ações de custo relativamente baixo como a Balada Segura ou grandes operações que mais parecem vindas de estúdios de cinema, como as retomadas dos morros cariocas, são símbolos de uma nova concepção de segurança pública.

São ações conjuntas, que integram todos os órgãos de fiscalização e policiamento, planejadas com base em indicadores e por isso conseguem atingir a origem dos problemas de violência.
Seja prevenindo mortes no trânsito ou mortes nas favelas, o que essas operações possuem em comum é que elas fazem a lei funcionar. Tem o poder de mostrar para os cidadãos que o Estado quando atuando de maneira integrada, transparente e inteligente, tem sim capacidade para enfrentar e superar problemas de grande complexidade, como é o caso da violência.

Ao invés da arbitrariedade, da violência ou da corrupção, essas operações têm a habilidade de mostrar que a lei deve ser aplicada da mesma forma para todos.
Isso não se confunde com aqueles populismos penais de momento, que aproveitam tragédias para discursos inflamados, que brincam com o medo e reformam o texto da lei sem se preocupar com suas consequências. A lei que funciona é aquela que funciona a cada dia no cotidiano do cidadão e não se mede por presos a mais, mas por violências a menos.

Seja uma investigação de homicídios mais eficiente ou a fiscalização das mais simples questões que envolvem a convivência numa cidade, um dos elementos mais importantes para a redução da violência, é que os cidadãos respeitem suas autoridades não por medo, como ensinam os governos autoritários, mas por admiração e confiança.

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Uma resposta para A lei que funciona

  1. Lúcia Liebling Kopittke disse:

    Realmente, só estaremos num País seguro quando nossos jornais deixarem de noticiar o número de presos para informar a redução dos delitos e, por consequência, de prisões realizadas.
    Ontem, olhando a foto, na ZH, da guarda municipal de POA, lembrei com carinho e saudade, daquele senhor que era o “guarda” da minha rua e me dava a mão para que eu atravessasse a rua para ir brincar na casa do vizinho da frente. Todos o conheciam pelo nome, respeitavam sua farda azul marinho e a impecável camiza branca, mas não havia medo, pois ele estava ali para nos proteger, as vezes, até mesmo das nossas próprias diabruras.
    Sabem qual era nosso programa preferido aos finais de tarde? Jovens e crianças, moradores da rua Duque de Caxias, Demétrio Ribeiro, Riachuelo e adjacências, reuniam-se ao lado do “cadeião”, situado bem ao lado da Usina do Gasômetro, para ver o por do sol e pegar os bilhetes que os presos atiravam para que levássemos as suas famílias, o que, realmente, fazíamos. Não tinhamos medo. O nosso “guarda” estava ali conosco. É preciso repensar sobre este temido assunto chamado segurança e, quem sabe, nossos filhos e netos poderão atravessar a rua de mãos dadas com o “guarda”, sem medo, mas, ao contrário, certos de que estão protegidos.

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